|
Sua família por parte de mãe era imensa, seu avô casara duas vezes e tivera 25 filhos. É isso mesmo meu avô materno Noberto Barbosa dos Santos tivera muitos filhos, no primeiro casamento 12 filhos e no segundo 15 filhos. Ele era Fazendeiro e Agricultor, muito conhecido na região, Fazenda dos Retiros - município de Ipirá-BA. Meu avô Noberto era um homem forte, sempre foi de palavra, sério, era descendente de índio, não era rico, mas possuia muitas terras e gados, entre outros animais e outros bens. Cada filho erdou seu pedaço de terra e também alguns animais. Segundo a minha mãe, meu avô sempre dizia:”filho meu quando crescer pode construir sua própria casa, plantar e colher pra o sustento da família”. Esse foi o desejo do meu avô, que filho dele nunca passasse fome na vida e tivesse pelo menos um lugar onde descansar a cabeça - um teto pra morar, viverem sempre juntos com união e serem felizes.
Minha avó materna Emília Moreira dos Santos, segundo minha mãe, ela era muito bonita, ótima mãe e excelente esposa, viveu com meu avô 12 anos. Mas infelizmente minha mãe a perdeu quando tinha entre 6 à 7 anos de idade. Mamãe nunca esqueceu o carinho e o amor da minha avó, foram sofrimentos e saudades acumulados por muitos e muitos anos.
Sua família por parte de pai era muito pequena, seus avos paternos Maria Jesus de Andrade e Teodoro José de Andrade, tiveram apenas 2 filhos, o pai seu Alcides e sua tia Esmeralda. Eles eram muito unidos. Meu avô era Arquiteto e Agricultor, além de fazer projetos para construções de casas, tambem cuidava da lavoura. A família era muito conhecida na região de Milagres, pois meus avos eram primos e a família fazia parte do meio da politica. Há muito anos atrás, o primo do meu pai foi candidato algumas vezes e foi eleito três vezes Prefeito da cidade de Milagres-Ba. Segundo meu pai e tia, minha avó Maria era também muito bonita, calma, carinhosa e uma mãe maravilhosa. Só que infelizmente meu avô, papai e titia também a perderam aida muito cedo, quando vovó faleceu meu pai tinha apenas 7anos de idade. Meu avô a amava muito, não casara outra vez, pai e tia foram criados só pelo meu avô. É claro que eles sofreram muito com a perda da minha avó Maria, pois eles a amavam muito.
Meu pai, começou muito cedo trabalhar com meu avô em construções de casas e também na lavoura, aos 7 anos de idade já pegava na enxada. Além da dureza do trabalho na enxada, aos 8 anos de idade depois da escola, ajudava meu avô em construções de casas. Era uma família pequena. Mas viviam bem, com muito carinho e um amor imenso entre eles. Após alguns anos meu avô tivera problemas nas vistas, devido um acidente no trabalho. Como não enxergava muito bem, não tivera mais possibilidade e nem condições de trabalhar. Meu avô foi muito bem cuidado pelo meu pai e tia que o amavam muito. Papai trabalhava por dois e arcava com todas as despesas da casa.
Após muitos anos minha tia se casara, então era só meu avô e meu pai. Nessa época meu avô já não enxergava quase nada. Painho também precisava encontar a mulher do seu sonho, mas como deixar meu avô sozinho! Então ele prometeu a vovô, se ele casar, mesmo assim nunca deixaria sozinho e eles continuariam sempre vivendo juntos. Logo papai conseguiu um trabalho em Ipirá, e um mês depois vendeu a casa de Milagres, casa essa que ele e meu avô tinham construidos com suas próprias mãos. Foram de vez vivier em Ipirá, lá conheceu mamãe.
Meus pais quando se conheceram ficaram apaixonados. Como minha mãe não se entendia muito bem com sua madrasta segunda esposa do meu avô materno, segundo mamãe ela a maltratava muito, quando criança na ausência do meu avô Noberto, além de bate-la obrigava fazer todos os serviços domésticos. Mãe quando conheceu pai deu graças a Deus, naquela época até o namoro era difícil, só podia pegar na mão e na presença dos pais ou dos irmãos mais velho. Não podia se quer nem dar um beijinho na boca, só era possível beijo na mão, fazer um passeio só com a família, ficar ou sair sozinhos nem pensar, só depois do casamento.
Papai pediu meu avô a mão de mamãe em casamento. Então os dois se casaram e foram morar em uma casa na cidade Ipirá - na casa que meu pai tinha construido recentimente, levando com ele também meu avô Teodoro, é claro contra a vontade de mamãe, não por não gostar de vovô, mas sim porque mãe queria ficar a sós com pai. Mas o que ela podia fazer se meu avô era quase cego e pai o amava muito e fezera promessa não abandona-lo. Mamãe por amar muito papai, não criou sequer nenhum espécie de problema pra papai e nem pra vovô, fazendo todas as vontades de painho e ajudou muito bem a cuidar do meu avô Teodoro.
Em Ipirá viveram aproximadamente 4 anos e pouco e tiveram quatro filhos; Erpide, Ester, Josy e Leonel. Meu pai era Construtor e Pedreiro. Mas o que ele gostava mesmo era de ser Agricultor e Lavrador. Além de trabalhar em construções, também trabalhava na sua própria lavoura, plantava: Feijão, milho, melancia, mandioca, aipim, abóbora, quiabo, chuchu, manga, batatas, caju, banana, cana, limão, tomante, côco, café, abacate, laranja, mamão. Além das verduras, frutas, entre outros legumes. Hortas de: Alface, couve-flor, coentro, salsa, couve, pimenta, também chás de capim santo, ervas cidreiras e outros.
Minha mãe e meus irmãos ajudavam na plantação e na colheta para o próprio sustento da família e para vender nas feiras, nos pequenos mercados. Assim ganhando mais um dinheiro extra. Além das Plantações meus pais tinham também criações de alguns animais como: um par de gado, cavalo, jegue, galinhas, patos, porcos, carneiro e etc. Foram 3 anos maravilhosos, mas com o tempo os problemas foram chegando, as dificuldades foram aumentando, então venderam os animais. Mais tarde as plantações deram pragas e já não funcionava muito bem. Trabalho de construções só de vez em quando, pois cidade pequena tinha pouco trabalho, e pra papai naquela época era apenas mais um biscate. Meu avô Noberto ofereceu ajuda é claro, mas mãe não pode aceitar, pois pai não deixou e não quis, ele era muito orgulhoso. Meu pai queria conseguir tudo sozinho sem ajuda da família.
Um ano depois, as dificuldades aumentaram mais ainda, após completar quatro anos tiveram de vender a roça com as plantações. E alguns meses depois também venderam a casa. Meus pais foram morar de vez em Milagres. Lá refizeram suas vidas de novo, a rocinha e outra casa. Mas meus pais não estavam muito satisfeitos com a vida que tinham, pois eles tinham sonhos e loucura por viagens, conhecer novos lugares e adoravam morar no campo, principalmente meu pai que era e ainda é louco pelo campo e apaixonado pela natureza. Um ano e pouco depois - pai recebeu um convite de um amigo pra trabalhar em outra cidade. Há! Nem pensou duas vez - aceitou logo o convite, resolveram mais uma vez vender a casa e a roça, por uma aventura que nem sabiam se iria dar certo. Mudaram totalmente de vida, viajaram quase dois dias pra uma fazenda na região de Caculé, pois o amigo fazendeiro pediu que ele cuidasse da fazenda, garantindo casa, trabalho, terra pra plantar e uma vida melhor pra família. Mas as coisa não funcionaram bem como tinha planejado e para mãe não foi nada bom, pois já tinha 4 filhos pequenos 1,2,3,4 anos, além de cuidar da casa e das crianças ainda tinha de cuidar do meu avô Teodoro. Sozinhos num lugar loge de tudo, sem conhecer ninguém, dificultava as coisa mais ainda. Um ano depois mudaram para cidade Caculé, lá nasceu meu irmão José.
As dificuldades vividas pela família obrigavam a uma mudança para uma outra cidade. Já no quinto filho, painho recebeu outro convite pra trabalhar em cortar sinsal (planta de fibras têxteis, no fabrico de cordas, esteiras e tapetes) na região de Condeuba. Assim foi contratado por um ano e ganhando também por horas extras. Na cidade Condeuba eu nasci, a casa era pequena e simples, não tinha espaço suficiente para o conforto da família. Então depois de um ano a família decidiu tentar a vida em outro lugar, Alagoinhas - pequena cidade na Bahia, lá nós vivemos uma vida tranqüila quase 3 anos, meu pai fazia de tudo um pouco: Contruções, pintava casas, e também como o forte dele era plantações e animais - cuidou muito de Fazendas de fazendeiros. Contra a vontade dele é claro, pois o que ele gostava mesmo era de cuidar do seu próprio negócio, sua terra - sua lavoura . Pai trabalhava de Sábado à Domingo, de 6 da manhã até 6 da tarde, todos os dias acordava entre 4:30 as 5h da madrugada, praticamente sem descanso. Assim recomeçou toda a vida novamente construiu nova casa, e fez outra roça com plantações e criações de pequenos animais. Mesmo com pouco tempo que pai tinha, depois do jantar toda família reuniam-se na varanda ou no quintal e vovô, pai, mãe, contavam histórias pra mim e meus irmãos. Também meu pai tocava violão, cantava e a gente dançava. Era muito bonito, bom, e divertido, uma família humilde mas feliz.
Mas após alguns anos seu avô ficou doente e faleceu. Para seu Alcides e toda a família foi uma grande tristeza. Apesar de seu Teodoro ser quase cego, mas era um homem alegre, vivia cantando dentro de casa e fazia muitas brincadeiras com os netos. Assim Dona Margarida, tinha mais tempo pra os afazeres domésticos e outros. Mamãe cuidou do meu vovô Teodoro até o último dia de vida.
A vida continou é claro, um ano depois nasceu minha irmã Valdelice e depois de mais um ano nasceu meu irmão Antônio, esse faleceu com poucos dias de vida. Após mais um ano e pouco nasceu outra irmã Maria que também faleceu com um mês de nascida, devido muito trabalho, esforço que mamãe fezera. Eu e meus irmãos choramos muito a morte dos meus irmãos recenascidos, mas mãe sempre dizia: ”não fique triste papai do céu vai mandar outro de novo”. Pois meus pais sonhavam em encher a casa de filhos, pricipalmente meu pai. Anos e anos se passaram com problemas financeiro tiveram de trabalhar para outras pessoas. Como o forte do meu era plantação e animais, cuidou muito de Fazendas de muitos fazendeiros. Contra a vontade de pai é claro, pois o que ele gostava era de cuidar do seu próprio negócio - sua lavoura.
Anos e anos se passaram com problemas financeiro Mamãe teve de trabalhar também para outras pessoas. Com os filhos já crescidos trabalhou em fabrica de café e farinha (naquela época chamava engenho de café e farinha) para ajudar mais no sustento da família. Minha mãe dona de casa, posso dizer uma heroína, nasceu em Ipirá, vindo de uma família classe média, mas trabalhou duro, além de cuidar dos filhos, dos trabalhos domésticos, ajudou muito meu pai na lavoura, cuidar do meu avô e dos animais. Ela lavava com as mãos toda roupa da casa e da família. Ótima Mãe, super dedicada, compreensiva, carinhosa e excelente Esposa. Mamãe cansada de tanto tabalho, se arependeu quando ficou sabendo que meu avô Noberto tinha falecido, em ter deixado seu pai que o tanto amava. Morando muito distante, não teve como voltar, mãe de tantos filhos, com pouco dinheiro, nem teve condições de ver meu avô Noberto pela última vez. Ela sempre dizia se eu tivesse perto da minha família e tivesse aceitado ajuda do meu pai, nossa vida seria muito diferente.
Alguns anos depois meu irmão mais velho Erpide foi picado por cobra e faleceu, ele tinha quase dez anos de idade, ajudava muito meu pai, a família e tinha um carinho muito grande pelos irmãos. Meu pai não foi mais o mesmo, toda família estava revoltada e muito triste com tantas tragédia. Após alguns meses, desfezeram de tudo outra vez e resolveram voltar pra cidade. Devido também a dificuldade de acesso à escola rural de Alagoinhas, levou a família a se mudar mais uma vez para Caculé. la´minha irmã mais nova Lenice nasceu. Trazendo alegria e um pouco de paz pra família, assim como mamãe tinha dito, que papai do céu traria outro de novo.
Após mais dois anos eles resolveram ir embora, fazer mais uma outra aventura em Nazaré das Farinhas. Apesar de toda a batalha, os resultados não foram os esperados. Anos depois tentaram a vida tabém em outras cidades como: Tauape, Bravo, Santo Estevo, Santo Antonio de Jesus, depois Feira de Santana, e por último em Milagres
Meus pais nunca deram valor as coisa materiais, venderam tantas casas entre outros bens, só para uma nova aventura de conhecer terras melhor para plantar. E acreditando no futuro melhor, porém com o longo tempo e a idade avançada as coisas se tornaram muito mais difícil. Mas loge da família eles passaram muitas dificuldades e sofrimentos na vida. Meus pais tiveram muitos filhos na soma foram dez, mas morreram quatro os três que já disse e mais meu irmão José com dezessete anos de idade, por um raio em Feira de Santana. Esse não era só meu irmão e sim meu melhor amigo e companheiro sentir e sinto ainda muita falta dele.
Realmente pode imaginar que tristeza eu e minha família já sentimos e passamos na nossa vida, com a perda dos meus avos e dos meus irmãos . Apesar de uma família grande para os pais e irmãos que se amam - o amor é sempre o mesmo. Muitos sofrimentos - não só com a perda dos entes queridos, mas também muitas dificuldades financeiras.
A dura experiência fez com todos decidissem voltar à cidade natal. Depois de dezenove anos meus pais voltaram para suas terras de origens, reencontrando uma grande parte da família. Minha mãe não encontrou mais meu avô vivo, nem gados, nem outros animais, pois os irmãos já tinham dividido todos os bens do meu avô e também vendido uma boa parte. Mas sim seu pedaço de terra ainda estava lá. Meu pai reencontrou minha tia Esmeralda com doze filhos e com muitos netos.
Seu Alcides e Dona Margarida - os pais, disseram que todo esforço valeu a pena, segundo eles tiveram uma vida trabalhosa, sofrida, cheia de dificuldade e com muitos obstáculos, mas feliz. Apesar de tudo eles tem muito orgulho, porque nenhum dos seus filhos deu pra ruim, cresceram com respeito, carinho e dignidade.
Hoje meu pai aos 79 anos, não trabalha mais nos serviços pesado e a minha mãe aos 70 anos ainda faz um pouco dos serviços domésticos. Eu e minha família vivemos na cidade de origem do meu pai - Milagres -Bahia, todos mais próximo da família.
Papai sempre um homem sério, forte, honesto, ótimo carácter, teve muita coragem em tudo na vida, viveu toda sua vida com muito respeito, carinho e dignidade. O unico defeito era às vezes muito nervoso, e aida é, mas ele e Mamãe vivem juntos com união e muito amor. Somos uma família simples, mas do bem.
|